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A atitude generalizada com beatas de cigarro e restos de fast food mostram que a maioria é um bando de animais

Gostamos de acreditar que vivemos numa sociedade que, apesar dos pesares, a maioria ainda é formada por gente decente e que tem um mínimo de consciência civil para esta merda funcionar.

Mas essa ilusão se desfaz com a observação das duas coisas no título.

Trabalho num complexo empresarial bem grande no Porto e visito muitos clientes e parceiros que trabalham em lugares semelhantes nesta e em outras cidades. Tanto há muitas pessoas assalariadas por ali com pouca formação como há muita, mas muita malta “bem formada”: advogados, gestores, empresários, médicos, psicólogos, engenheiros, professores, programadores, políticos etc etc you name it. E onde quer que eu vá há duas coisas frequentes nesses lugares, em parte devido ao ritmo de trabalho: a maioria das pessoas fuma e também almoça fast food. Não há, lógico, nenhum problema nisso. O que choca é a total indiferença com que a maioria não pensa duas vezes em ser um absoluto porco. Se não fosse um constante e intenso trabalho das empresas de limpeza, tanto das privadas contratadas por aí, quanto dos agentes públicos, isto ia estar pior do que aqueles filmes distópicos de Nova Iorque dos anos 80, tipo o recente Joker. A cada turno de limpeza é um oceano de beatas de cigarro que se forma por todos os espaços externos do lugar, numa moldura infame de sujidade e tabaco, muito embora haja dúzias de caixotes de lixo e de tabaco a pontuar aquele sítio todo. E quando paramos nos restaurantes fast food a vista das áreas de estacionamento é de vomitar. Ali também está repleto de caixotes de lixo espalhados a torto e à direita e toda a gente deita os seus sacos e caixas de comida para levar em todo lado. Igualmente, se não fosse o trabalho infindável da limpeza a passar o tempo inteiro nem quero imaginar como seria, pois já é ridícula a quantidade de lixo que se vê a qualquer hora, sobretudo tarde da noite quando os turnos de limpeza são menos frequentes.

Duas situações anedóticas que fizeram-me cair o queixo:

– um agente de limpeza do município tinha acabado de varrer todo o passeio na rua onde encontrava-me. Ao fim dessa tarefa ele põe a vassoura no seu carrinho, tira uma chicla do bolso, atira o papel para o chão da rua que acabou de limpar e sai a empurrar o carrinho para outro lado enquanto masca com indiferença a sua chicla, a emerdar o próprio esforço.

– estava um amigo meu, que trabalha em outra empresa dentro do mesmo complexo, e eu num intervalo e discutíamos sobre a questão das mudanças climáticas, e como ele achava sinistro que ainda existiam políticos poderosos a negar a gravidade disso por aí. Então ele termina o cigarro que estava a fumar e imediatamente deita ao chão, muito embora ali onde estávamos era um passeio público onde claramente, à nossa frente, os detritos iam dar num escoamento da rede de esgotos. Eu chamei a observação e ele até pediu desculpas e foi deitar a merda ao lixo. Mas que porcaria que temos de ser um Zé Chato a tratar adultos como se fossem crianças. E ele não percebia que a preocupação exposta no discurso dele sobre a decadência ambiental e a hipocrisia das pessoas era diretamente ligada à atitude que acabara de reproduzir? Esses detritos todos terminam nas redes de água e resíduos e fodem tudo. Depois aquela rua vive a alagar nas chuvas e ninguém sabe porquê.

Enfim: tanto o Zé Povinho quanto os Srs Drs Povinho Deluxe diante da situação mais básica de civilidade, e que exige o mínimo de esforço, que é deitar as suas merdas ao lixo, mostra que vivemos numa sociedade que a maioria está mesmo a cagar para o seu comportamento.

Se é uma dessas pessoas favor repensar esses comportamentos.

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