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Criticar a Opinião Popular com elegância

Em quase todas as temáticas existe uma opinião que é a predominante. Ou seja, se a discutires num fórum público, quase toda a gente concordará entre si, e os que se desviam da norma são rapidamente abafados com downvotes, bans ou insultos. No entanto, uma opinião ser popular não implica ser a mais correcta, ou ser a única que é válida. A popularidade ideológica advém frequentemente de propaganda que te é injectada no cérebro pelo sistema educativo e pelos meios de comunicação logo desde muito novo.

Há opiniões que tu cresces a saber que são as mais valorizadas. Até temes contrariá-las porque sabes que oposição à mesma é tão mal recebida que pode mesmo prejudicar-te a vida se te manifestares contrariamente.

Na realidade, opiniões populares são, frequentemente, estruturalmente fracas. E porquê? Porque quando algo se torna um dado adquirido, coloca-se de parte o exercício intelectual em torno da opinião. As pessoas simplesmente concordam por padrão, e porque à partida lhes parece bem. Têm esta opinião porque lhes é imposta pela sociedade, não porque, depois de horas sentadas no escuro numa noite chuvosa a pensar nelas, concluíram que são realmente válidas. Por vezes opiniões populares também são populares porque validam desejos primitivos. O aborto, por exemplo. É extremamente aliciante alguém poder foder, engravidar e eliminar o erro. É uma ideia apelativa. O incentivo para se apoiar essa ideia é muito, muito forte. O apoio não resulta de iluminação intelectual sobre o tema, mas sim do desejo de ter uma liberdade que dá muito, muito, muito jeito. E não, isto não é uma discussão sobre o aborto. É apenas um exemplo.

Outro exemplo é a questão do assédio, da qual já aqui falei diversas vezes, na sequência daquele caso dos comboios. Qual é a opinião popular? É a de que a mulher deve poder vestir o que lhe apetecer e ninguém tem o direito de dizer nada. E se alguém disser algo, merece ser penalizado. É a opinião predominante e é aquela que te entra casa adentro pelos meios de comunicação. Dificilmente verás alguém na sic a dizer “pfff, coitada! Agora não se pode mandar um piropo”.

Uma característica interessante das opiniões populares é que discordar delas frequentemente te torna indigno de atenção ou respeito. A tua opinião é de imediato desprezada ou gozada, sem sequer teres direito a um debate de ideias. Não te explicam necessariamente porque é que estás errado, mas comentam coisas como “como é que é possível alguém pensar assim”. Eles estão tão convictos de que a opinião deles é a certa, que nem se dignam a ponderar a validade de qualquer um dos teus argumentos. Estás errado por padrão e pronto.

Eu vou muito contra opiniões populares, pois gosto de reflectir sobre os assuntos, e quando realmente reflectes sobre algo, apercebes-te que muito do que te é enfiado pela goela adentro não foi assim tão bem reflectido e contém falhas de lógica muito fáceis de contrariar. Gosto de debater este tipo de opinião, mas sinto que sou, de facto, a minoria.

Por vezes vejo por aqui e pelas redes sociais pessoas com opiniões semelhantes às minhas. Mas o que me deixa frustrado é que não sabem estruturá-las em formato de argumento válido. Apresentam-nas de uma forma rude e frequentemente brejeira. Insultam, ou mandam apenas um bitaite sem grande eloquência. Parece que têm um sentimento dentro de si mas ainda não perceberam que é perfeitamente possível validar esse sentimento através de lógica. A maioria pode estar contra ti, mas a maioria não está necessariamente certa. Há muita coisa errada que a maioria faz. No entanto, se tudo o que sabes fazer é mandar uma boca provinciana, ou produzir um pseudo argumento, não estás a ajudar a causa. Estás apenas a validar a opinião daqueles que acham que quem pensa como tu é merda.

No caso da CP, por exemplo, eu consigo explicar porque é que a narrativa predominante está errada, e porque é que ela não é a heroína que querem fazer passar, e porque é que esta ideia de que um homem comentar-lhe o decote é assédio sexual, e que a liberdade de exibicionismo dela deve sobrepor-se à liberdade de expressão dos outros, não é necessariamente correcta. É perfeitamente possível ter uma discussão racional em torno disto tudo. No entanto, quase sempre que vês uma oposição à narrativa padrão, parece ter saída da boca de um taberneiro. Contém quase sempre insultos e é quase sempre mal estruturada. Isso dá-lhes força. É isso que as alimenta.

O que eu sugiro a todos aqueles que sentem que a opinião popular não reflecte a sua forma de ver o mundo, é que tenham mais respeito por si próprios e cultivem a sua integridade intelectual. Se vão questionar algo, que se esforcem um pouco. Se não sabem, estudem. Pesquisem antes de falar. Não partam de imediato para o insulto sem sequer se darem ao trabalho de contrapor logicamente o que vos é dito.

E isto é também um apelo à direita deste país. Vocês têm fama de rudes, violentos, sexistas, racistas, etc, etc. E para ser sincero, muitas vezes comportam-se como tal. São, de facto, mais rudes, na forma como se manifestam. A esquerda é mais delicada, esforça-se para PARECER mais civilizada e preocupada com a sociedade, e isso dá-lhes mais credibilidade.

submitted by /u/theInjusticeamongus
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