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Decidimos acolher um cão abandonado pela vizinha, agora queremos pô-lo num canil e não sabemos como

Antes de tudo pedir desculpas pela minha ortografia e gramática em caso de cometer algum erro, só fiz o primeiro ano em Portugal.

O meu namorado mudou-se para o nosso país -vindo do Canadá- em julho, e comprou uma casa numa localidade na região centro. Na altura fui ter com ele e ajudei-o, depois voltei para a Espanha, onde cresci e ainda vivo -só vou voltar para Portugal no ano que vem-.

Até agora tudo bem no geral, tivemos alguns problemas com a casa por esta ser velha e tal, mas nenhum problema com os vizinhos -que no geral, têm sido fantásticos-. Mas há coisa de três dias (terça), ele deu-se conta que o cão da vizinha tinha passado todo o dia fora. Até ficou à nossa porta um bom bocado, e ladrava para que a dona o deixa-se entrar, mas nada acontecia. Lá pela noite o meu namorado decidiu ir à casa dela para lhe devolver o cão. Ele ainda não fala inglês assim que não percebeu o que ela disse, mas ela parecia feliz e fez como um gesto de escrever com um teclado, assim que a conclusão dele foi que ela tinha perdido o cão e estava para colocar um anúncio. Achei um bocado estranho porque as nossas casas estão a 5 metros de distância se isso, mas pronto, não demos voltas ao assunto.

O que foi estranho é que anteontem (quarta) o cão estava lá à porta dele, outra vez, e agora sem colar (que misteriosamente desapareceu). E outra vez, ficou lá todo o dia. Pela noite o cão passou uns bons minutos a arranhar a porta e a ladrar para entrar na casa da dona- não lhe abriu. O meu namorado, estranhado e confuso, decidiu então ir falar com ela enquanto ligava para mim, para que eu assim pudesse traduzir. Naquela altura já estávamos de certa forma convencidos que ela estava a tentar abandonar o cão. Ele ouviu-a várias vezes a bater nele nestes últimos meses, e o facto que 1) o cão ficou sem coleira e 2) esteve uns bons minutos a ladrar à porta dela e ela não fez nada, convenceu-nos ainda mais disso. E ficámos ainda mais convencidos quando ele foi bater à porta deles, a dizer olá, e ela subiu o volume da televisão e demorou uns 2 minutos para, finalmente, abrir a porta.

A conversa foi bastante rápida e estranha, mas ela disse-nos que ia embora e que não queria abandonar o cão, então estava a dá-lo. Ela perguntou ao meu namorado se o queria acolher e ele disse que sim, convencido que ela ia deixar o animal ao relento. Nem eu nem ele crescemos ou vivemos em Portugal, e sem saber muito do assunto, decidimos acolher o cão. Acontece que o meu namorado só tinha mesmo, em princípio, a intenção de acolher o animal durante um dia ou dois, já que ele tem esclerose múltipla e vários problemas de saúde e é-lhe impossível estar a tomar conta do cão sozinho. Aliás, nem sequer tínhamos planeado ter um cão, já que ambos temos problemas de saúde e um cão é um animal que requere muita energia e atividade. Estivemos a falar e concluímos que a melhor solução era entregá-lo a uma protetora ou o canil municipal.

Ligo à clínica veterinária mais próxima para saber o que fazer. Dizem-me que nós não somos os donos do animal e que por isso, tem de ser a dona a colocá-lo num canil ou protetora, e, caso ela recusasse, teríamos de fazer participação na GNR. Dada a simpatia da dona -até me tinha dado o número de telemóvel dela, caso surgisse um acaso-, pensei que isto ia ser rápido e fácil. Estava bem enganada.

Depois de escrever um texto bem largo e com o máximo respeito possível, mandei-o à dona. Expliquei a situação, a saúde do meu namorado e que nós só demos abrigo ao animal porque tínhamos medo que ela o abandonasse, e que tinha de ser ela a entregar o animal num canil. As respostas iniciais dela eram só a repetição do que ela nos tinha dito na noite que nos deu o cão. Então eu voltei a mencionar que se ela se recusava a colaborar, que tínhamos que fazer participação na GNR. A partir de aí só me respondeu de más formas, a dizer que não era a responsabilidade dela e que não a incomodássemos mais, que ela não queria saber.

Ligo outra vez à clínica e voltam a afirmar que se ela não colabora, que a GNR vai ter de intervir. Isto já eram as 7 da tarde em Portugal, pelo que quando liguei à GNR, disseram-me que era melhor se o meu namorado ia lá esta manhã. Ele foi lá, e basicamente disseram-lhe que o cão, ao não ter chip e como ele aceitou acolhé-lo, que é agora responsabilidade nossa, e que é melhor ligar para a câmara e resolver lá isso com eles. Ligo logo à veterinária e ficam muito surpreendidos com a atitude da GNR.

Contactei então com a câmara municipal, e há 6 horas que esperamos resposta (a este ponto já são as 5 da tarde, duvido que respondam). No entretanto, fomos informados de um abrigo de animais na zona, e não sabemos se ligar. Ambos desconhecemos as leis portuguesas respeito ao assunto e agora ficámos encrencados numa situação que não queríamos porque ficámos preocupados com o bem estar do animal. Fiquei tão confusa que não sei quem tem razão, se a veterinária ou a GNR. Se a responsabilidade é da vizinha ou nossa. Nem sei se os abrigos são legais, nem se podes ser multado por levar um animal lá. Que o meu namorado nem sequer pode levar porque não pode conduzir nem temos carro, e o cão tem algumas pulgas assim que duvido que seja possível levá-lo num táxi, muito menos nas condições atuais.

Não sei o que fazer e ao estar no estrangeiro a situação é ainda mais complicada. O meu namorado hoje está num daqueles dias em que quase que nem consegue caminhar e é incapaz de levar o cão a passear neste momento. Gostava de ter alguma opinião de alguém que perceba do assunto porque estou a ficar maluca e bastante desesperada.

submitted by /u/Marianations
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