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Excesso de zelo a roçar o ridículo no regresso às aulas

Se hoje surgiu um post sobre a falta de cumprimento de medidas na Ualg, existe também o reverso da moeda e neste caso falo do Politécnico de Setúbal, mais concretamente da escola superior de ciências empresariais.

Depois de terem adiado o início das aulas porque ainda existiam umas pontas soltas no que toca à colocação dos alunos nas turmas devido ao Covid, a minha irmã ligou-me há pouco após os alunos terem tido uma reunião online com os coordenadores de curso, e a situação que me descreveu é simplesmente ridícula.

Então apenas os alunos de 1o ano e os que estão inscritos apenas a 4 UC’s no semestre (provavelmente finalistas) podem inscrever-se nas turmas que desejarem, tudo o resto vai ser alocado automaticamente nas turmas pelos serviços académicos. Logo aí surge um problema óbvio, desde os trabalhores estudantes que têm de certeza preferência por certo horário e todos os alunos que têm cadeiras para trás. Qualquer aluno universitário que tenha deixado cadeiras para trás sabe a ginástica que tinha que fazer para conseguir encaixar as cadeiras todas sem sobreposições de horário, algo que demora o seu tempo e que claramente é impossível ser feito para cada caso individual para milhares de alunos. Quando indigaram sobre este assunto a resposta foi simplesmente um não sabemos, mas tudo se vai resolver, para não dizer que ainda reclamaram com os alunos por fazerem tantas questões.

Depois existe ainda a possibilidade de rotatividade dentro de uma turma, em que a cada semana ou duas semanas metade tem aulas presenciais e outros online. Voltamos à questão dos alunos que estão a ter cadeiras de mais de um ano e que vai acontecer terem uma aula online às 9 da manhã e às 10:30 terem laboratório presencial, espera-se portanto o poder do teletransporte por parte dos alunos, visto que mesmo que apareçam na aula das 9 na escola ser-lhe-á recusada a entrada visto que não estão escalados para aquela semana presencial. Surgem ainda mais dois problemas óbvios, o primeiro que é a quantidade de alunos que não tem condições informáticas para assistir às aulas online (o semestre passado a escola emprestou computadores dos laboratórios a esses alunos, mas considerando que um dos turnos vai estar em precencial, os mesmos não podem ser cedidos desta vez), e o segundo problema é que é bastante diferente um professor estar a dar aula para uma turma pelo teams, e outra é estar a dar a aula para a sala e essa mesma aula estar a ser transmitida em tempo real para quem está em casa, a atenção para esses alunos será menor, já imagino a qualidade com que se verá o que está escrito no quadro, e as intervenções dos colegas em sala não serão ouvidas por quem está online.

Para além dos problemas óbvios detectados ainda existem regras ridículas como haver ordem de entrada e saída da sala, que fora o tempo de aula perdido ainda temos o pobre coitado que tem que apanhar o comboio 10 minutos depois mas tem o azar de se chamar Zacarias e tem que esperar que saia toda a gente primeiro que ele de forma a manterem a distância de segurança.

Aulas seguidas na mesma sala ou num intervalo de até 10 minutos? Não podem sair da sala de forma a evitar perder tempo novamente. Querias ir beber um café, fumar um cigarrinho ou ir ao bar petiscar alguma coisa? Já foste! Intervalos entre aulas maiores de 20 minutos saem mas não podem permanecer nos corredores, têm que sair do edifício. Já estou a imaginar os alunos todos de guarda chuva na rua à espera da próxima aula.

Avaliação contínua? Não dá jeito, querem correr tudo a avaliações finais presenciais nas últimas 2 semanas de aulas.

Estou completamente de acordo que existam medidas preventivas mas isto roça o ridículo, e a única coisa que estão a conseguir fazer é prejudicar os alunos, para não falar da distinção de ensino que uns vão ter quando comparados com outros, sendo que no final pagam exactamente o mesmo.

O início das aulas foi novamente adiado, e os alunos ficaram a saber tanto como sabiam antes das ditas reuniões, visto que as respostas limitaram-se a “ainda não sabemos nada, mas vamos ultrapassar isto juntos”. Digam isto a um pai, digam-lhe que embora pague o mesmo que o outro pai, os filhos têm condições completamente diferentes, só porque um deles calhou ser o 1o ano de faculdade.

Isto tem tudo para correr mal, a quantidade de alunos que não vão conseguir conciliar horários vai ser ridícula, e dado o número de queixas a resolução por parte dos serviços académicos vai ser tudo menos rápida, e entretanto quem não conseguir assistir às aulas que se lixe, não se esqueça é de pagar as propinas a tempo e horas.

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