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Lyconet / Lyoness / Global Business Revolution / Cashback World – novamente o tema dos esquemas pirâmide / multilevel marketing (MLM)

Também eu fui abordado, anteontem, através do LinkedIn, para integrar um “projecto” novo, “em fase de expansão”, caso me considerasse “uma pessoa aberta a novas oportunidades”. O indivíduo que me contactou parecia uma pessoa séria (bom curso, experiência profissional – embora terminasse em 2019, não constando qualquer experiência profissional desde 2019 até hoje no seu perfil), pelo que aceitei a sua proposta para reunirmos online para que ele desse mais detalhes para esse seu projecto, que nunca chegou a explicar anteriormente por texto (que parece ser prática deles e que aceitei (embora com desconfiança).

Reunimos, quis saber um pouco sobre mim, sobre os meus interesses, tentando fazer-me sentir como numa entrevista de emprego (essencialmente, tentando-me fazer sentir como se eu estivesse, naquela conversa, à procura de algo que ele me pudesse oferecer, e não o contrário). Cinco minutos de conversa e mandou-me um link para assistir a um vídeo de youtube, para tomar notas, e depois continuarmos as conversas quando terminasse. Lá tinham o seu produto (um cartão de descontos universal), e, depois, a sua forma de trabalhar, baseada na criação de uma equipa. Tudo se tornou muito claro quando no vídeo se começou a falar de “pacotes” que teria de comprar para iniciar o meu trabalho na empresa, que me libertaria de stress, horários pesados, e me daria a liberdade que sempre quis. Disse que não me enquadrava e saí. Não estou para perder tempo em confrontações infrutíferas com gente que já está tão dentro do buraco que não verá nunca saída.

Porque isto é recorrente e já há, aqui, imensas publicações sobre este assunto, venho apenas dar uma pequena lembrança de que estes negócios continuam vivos, o que não vale lembrar caso alguém que passe por esta publicação esteja prestes a enfiar-se numa coisa deste género. De resto, vim apenas dar algumas notas curiosas:

– No LinkedIn, os “trabalhadores” da GBR nunca colocam a GBR ou a Lyconet como seu emprego actual. O indivíduo que vos falava tinha experiência na SONAE até ao meio de 2019, e, depois disso, nada aparece no seu LinkedIn. Quão estranho é esta reticência em indicar, no LinkedIn, que trabalha num negócio supostamente 1) legal; 2) legítimo; 3) moralmente aceitável?

– Nunca, nunca, nunca estes indivíduos que vos contactam para entrarem nestas coisas vos explicam do que se trata antes ou de uma reunião em pessoa, como já vi por aqui acontecer, ou de uma reunião por skype ou zoom. Têm um modo de trabalhar, e não abdicam dele, ou torna-se mais fácil vocês fugirem das mãos deles;

– O vídeo que eles mostram é absolutamente ridículo. A maior parte do tempo passam-no a tentar mostrar a seriedade do negócio (Olhem a nossa sede em Londres!);

– Quando alguma destas pessoas fala convosco, não se sintam como se ela vos estivesse a oferecer um emprego, ou uma oportunidade. Vocês são, de facto, o produto. Vocês são a oportunidade deles;

– Meterem-se nisto é venderem a vossa vida. Toda a gente dos vai detestar. Vão ver toda a gente como instrumentos para o vosso sucesso, e vão desperdiçar mais vidas e mais dinheiro do que a vossa vida e o vosso dinheiro;

– Sim, o negócio da Lyconet (um cartão de descontos universal) é diferente do negócio da Herbalife, Avon, ou outros. O grau de gravidade aparente do trabalho de um e dos outros é verdadeiramente diferente, e a Lyconet sempre consegue viver um pouco mais do produto que vende do que Herbalife, Avon e Oriflame vivem. Porém, conquistar outras pessoas, mais do que vender o produto, continua a ser o ponto essencial do negócio.

Se isto pode ou não ser classificado como um esquema em pirâmide é uma discussão interessante. Para que se tenha esta discussão, porém, é necessário acordar uma definição (nomeadamente jurídica) de “esquema em pirâmide”.
Tenho dúvidas que a justiça portuguesa alguma vez vá atrás destas empresas. É um trabalho difícil e que requer os melhores juristas. Talvez a solução passe, primeiro, por jurisprudência comunitária. Veremos.

Um bem-haja a quem faça carreira a tentar acabar com estes negócios, se educar as pessoas não é suficiente para evitar a proliferação destas empresas.

submitted by /u/pedrofilipegrocha
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