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O desespero por atenção faz com que as pessoas queiram transformar tudo num problema para benefício próprio

Eu acho que é mais do que evidente que existe uma corrida desesperada pela validação pessoal e sinalização de virtudes. Esta corrida é motivada pelas redes sociais, que te provocam um arrepiozinho bom no cérebro sempre que a tua opinião é ouvida e aplaudida. Antigamente dizias algo e as duas pessoas que estavam contigo na mesa de café respondiam “ya, é verdade”. Hoje dizes algo e centenas ou milhares de pessoas concordam contigo e elogiam-te. És diariamente motivado a ser barulhento e controverso.

Este problema é particularmente evidente entre as raparigas, que são quem mais ambiciona fama e atenção. E quanto mais dedicadas à auto-promoção online, maior a predisposição para tentar denunciar “injustiças”.

Não é que denunciar uma injustiça seja necessariamente mau, mas sendo que injustiças nem sempre estão à mão de semear, por vezes, por falta, acaba por se fabricar problemas a partir de situações insignificantes, mas pela sede de revolta e protagonismo acabam por ser explorados para benefício daqueles que anseiam ser vistos como combatentes e vítimas, sem que nada tenham feito por isso.

Recentemente houve caso da modelo, que alguns concordam que justifica o barulho, outros discordam, mas o que é facto é que trouxe-lhe muita, muita, muita popularidade. Ela é capaz de criar toda uma carreira profissional às custas disto. Ora, quem olha para esta situação e tem sede de atenção, começa logo a salivar. Tanta mensagem que recebem que provavelmente as incomoda. Que tal utilizá-las? Sabe-se lá se não poderão também ser vistas como heroínas.

Uma coisa que noto cada vez mais no meu feed são screenshots do mau comportamento alheio. No outro dia uma gaja que sigo recebeu uma mensagem de engate e foi logo publicar, com grande discurso sobre o quão miserável a vida dela é por ter de receber mensagens a elogiarem o corpo dela nas fotos semi-nuas que publica. Não é que alguns destes casos que se denuncia não sejam reprováveis, mas há algo chamado de fazer uma tempestade num copo de água. Significa que algo até pode ser um problema, mas tu decidiste fazer dele um problema muito maior do que na realidade é. Se tu passares à minha frente numa fila, isso é um problema. Mas não vou à GNR por causa disso, certo? Nem te vou atacar com uma faca e tentar matar-te. A reacção deve ser proporcional à ocorrência.

Estamos a passos largos a avançar em direcção a uma realidade em que não se pode dizer nada. É um bocadinho como o episódio Nosedrive do Black Mirror, em que as pessoas parecem cães retardados a tentarem agradar-se umas às outras.

Posso utilizar-me a mim mesmo como exemplo. Já me aconteceu ser denunciado. A pessoa em questão era uma daquelas “influencers”. Muitos seguidores, stories publicadas de 5 em 5 minutos. É uma pessoa que vive para aquilo, o que faz de mim idiota por dizer-lhe sequer o que quer que seja.

Ora, eu comentei uma story dela. Mas não foi nada de especial. Não foi assédio, não foi ameaça. Foi um comentário parvo, que eu, por ser burro, pensei que toda a gente compreenderia que fosse gozo. E se calhar ela compreendeu, mas quis usar na mesma, pois achou que teria algo a ganhar com isso.

Na story ela mostrava um cinto qualquer que havia comprado. Uma merda grossa, de cabedal. Eu não me lembro qual foi o meu comentário exacto, mas foi algo tipo “Boa compra. Tem excelente qualidade. Utilizei-o durante anos na minha mulher quando chegava bêbado a casa e continua a parecer novo em folha”.

Bom, se tem ou não piada, é irrelevante. Cada um sabe de si. O que é que ela fez? Bloqueou-me, denunciou-me(nunca fui banido, portanto ninguém lhe ligou) e publicou um print, com grande mensagem a dizer que estava horrorizada, e que ia fazer queixa na polícia, e que mesmo que fosse brincadeira, não se brinca com estas coisas. Claro que depois tive de lidar com a fúria dos white knights, etc. E por acaso nem sabia que alguém podia fazer queixa por não gostar de uma piada. Não conheço essa lei, mas acredite que haja.

Aqui temos um exemplo de alguém que acha que deve poder controlar o que os outros dizem, e que tipo de humor é ou não permitido. É assim, eu desde puto que ouço gozar com tudo, em Portugal. Ainda me lembro do gajo dos Ena Pa 2000 ser insultado por um puto de cadeira de rodas que tinha cancro e responde lhe “pelo menos não tenho cancro”. Aliás, na época do bibi não se fazia piadas às custas de pedofilia? Eu lembro-me de as ouvir no levanta-te e ri. Mas ao que parece agora já não se pode.

Isto é preocupante porque estas pessoas são o futuro. Acho que a sociedade está a cair no ridículo de querer desesperadamente problemas, em vez de fazer os possíveis para minimizar a seriedade de tudo e focar-se no que importa.

submitted by /u/theInjusticeamongus
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