Categories
Uncategorized

Os refilões dos restaurantes não têm razão nenhuma!

Cada vez fico mais indignado com o protagonismo que se dá ao pessoal dos restaurantes e do seu protesto. Cada vez menos lhe reconheço legitimidade ou essência, atendendo que todos passamos dificuldades. Aqui ficam algumas clarificações:

– o Estado dá-lhes apoio, obviamente com base na faturação que têm declarada no seu histórico (como fugiam às faturas, o valor do apoio acaba por ser ridículo);

– queixam-se do IVA, mas o IVA não é o restaurante que paga, é o cliente. O restaurante só tem que o entregar às finanças de acordo com o que vende. Além do mais a taxa foi reduzida para este grupo privilegiado, mas nem por isso os preços das refeições desceram;

– os que mais ativos vejo nos protestos e na contestação são os que montaram restaurantes de gentrificação, orientados como franco atiradores aos turistas estrangeiros. Estes espaços contribuíram de uma forma muito importante para que o comércio tradicional fosse erradicado de muitas zonas, ajudaram também a que as pessoas saíssem dos centros das cidades. Os 10 euros do tuga não chegam aos 50 do francês, mas são melhor do que nada (isto chama-se ingratidão!)

– tenho ouvido muitos donos de restaurantes dizer que estão a trabalhar muito. O take away não lhes ocupa mesas, dá-lhes volume, é certo que sem as margens obscenas que praticam nos vinhos e nas sobremesas. Estes segredos encontram-se nas casas mais simples, lideradas por pessoas mais modestas e trabalhadoras, que sempre viveram deste negócio e não do protagonismo da TV ou do Instagram. A reinvenção veio através da melhoria da comunicação das ementas, uso do Facebook, whatsapp e outros canais, colocaram empregados que até aqui serviam à mesa a atender telefones, a ver mensagens no Facebook e a fazer entregas (grátis ou pagas consoante vários casos);

– os senhores que agora protestam são donos de restaurantes, os mesmos que pagam mal e porcamente aos empregados: salários reduzidos ao mínimo, horários esticados se calhar para lá das 24h possíveis (é para ter pena de quem usa, abusa, põe e dispõe?)

– há mais negócios, todos, a sofrer tanto ou mais na pele os danos colaterais da pandemia do que os restaurantes. Temos todos que ficar a olhar para uma cambada de meninos birrentos armados em rebeldes? Os hotéis como é que estão? O pessoal das agências de viagens e da aviação? Os motoristas da Uber e os táxistas? Os guias turísticos? Os condutores de tuc tuc? Os donos de lojas de souvenirs? Os empregados das fábricas que viram as encomendas caír a pique e os empregados do comércio que não têm clientes a entrar pela porta? Já ouvimos protestos dessas pessoas? Se calhar têm pelo menos mais um milhão de razões para protestarem!

– estes senhores que sejam solidários com o resto das pessoas que continua a dar o corpo às balas e tem de se ir adaptando e reinventando a cada hora que passa.

Este protesto é imoral! Este protesto é apenas para chorar subsídios que vão saír do bolso e das pensões de quem paga os impostos na íntegra e a tempo e horas. Espero que haja bom senso e não seja o subsídio, como o era a fuga às faturas, a fonte para muitas vidas faustosas e opulentas.

Posto isto, querem ter frio tenham, querem beber água bebam, querem comer pão comam, agora não nos ocupem o juízo porque temos muito mais coisas com que nos preocupar.

submitted by /u/doiscavalos
[link] [comments]