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[Sério] Festival Podes

Olá a todos,

Sou uma pessoa que adora ouvir podcasts. Seja a conduzir, seja a treinar ou até mesmo a fazer o jantar.

Quem também gosta de ouvir podcasts provavelmente já ouviu falar no Festival Podes (https://podes.pt/), um festival português de podcasts que vai para a sua segunda edição. Entre webinars, conversas ou podcasts ao vivo, há ainda espaço para uma entrega de prémios. E é sobre esta entrega de prémios e as suas categorias que eu vos escrevo com alguns mixed feelings.

Contamos com 15 categorias e cada podcast pode concorrer a mais que uma categoria. A saber: Podcast do Ano, (digamos que é a Bola de Ouro do Podes), Melhor podcast de storytelling, Melhor podcast de entrevista, humor, lifestyle, política e questões sociais, conversa ou debate, cultura e entretenimento, desporto, ciência e tecnologia, informação e educação, economia e negócios, rádio (para programas emitidos em estações de rádio comerciais e distribuídos através da tecnologia podcast), Prémio do Público (categoria que não é escolhida pelo júri) e… Melhor podcast sem homens cis brancos heterossexuais. Esta última categoria tem a seguinte definição:

“Para podcasts protagonizados por pessoas não representadas na maioria dos podcasts em Portugal. É uma tentativa de olhar para o panorama dos podcasts nacionais sem a influência da grande fatia a que correspondem os podcasters masculinos cis e brancos, com o objectivo de revelar projectos de qualidade que nem sempre conseguem ganhar visibilidade. A discriminação positiva refere-se a protagonistas e anfitriões, mas não inclui convidados e participantes esporádicos.”

E foi aqui que fiquei pensativo. É realmente para aqui que estamos a caminhar? Começar a criar categorias como se de uma Liga dos Últimos se tratasse? “Tadinho/a, não és homem branco privilegiado, logo nunca terás sequer hipótese de ganhar um prémio noutra categoria”. É a isto que chamamos “discriminação positiva”? Estará uma Mariana Cabral a dar pulos de alegria ao saber que se o seu Fuso não ganhar na categoria de Humor poderá sempre trazer para casa o Prémio Podcast Sem Homens? Não será isto nivelar por baixo? E, se por alguma razão, os podcast inscritos nesta categoria forem uma merda? “Olha, de facto o teu podcast não tem grande conteúdo e a tua qualidade de som é uma bosta, mas pá, toma lá um prémio porque pelo menos és trans”.

No ano passado estive numa conferência onde um dos painéis era sobre “Empreendedorismo Feminino”. A primeira coisa que uma das oradoras disse quando pegou no micro foi “não venho aqui falar de empreendedorismo feminino, venho aqui falar de empreendedorismo”. Penso que aqui se aplique também esta forma de pensar… A mim não me interessa se um podcast é feito por um homem ou por uma mulher. Sejam eles brancos, negros, heterossexuais ou homossexuais. Crentes ou ateus. Se tiver qualidade (isto claro, já terá a ver com o meu gosto) irei ouvir e acompanhar.

Podemos dizer que a pessoa X não terá a mesma visibilidade que um Salvador Martinha, que acaba de alugar o Coliseu de Lisboa para dois episódios especiais do seu Ar Livre. Concordo, claro. Mas isso também funciona para mim, que sou homem hetero. Como é que eu conseguiria competir pelo Podcast do Ano contra um humorista com uma fanbase de centenas de milhar? Provavelmente não conseguia, mas pelo menos teria de dar ao pedal e apresentar conteúdo que os ouvintes achassem interessante.

Discuti isto ao jantar com a minha SO e no geral partilhamos das mesmas ideias, por isso gostava de saber mais opiniões. Criar uma categoria específica para este tema fará com que as pessoas se sintam mais motivadas a criar podcasts? Não creio. E vocês?

submitted by /u/Tee_ah_go
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