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[Sério] Internamento Involuntário – anónimo

Olá,

Encontro me numa situação muito difícil.

Tenho um familiar na casa dos 30, que é toxicodependente, que aparentemente no dia 20 de dezembro andou a consumir cogumelos, ácidos, álcool e a fumar erva. Tem um histórico enorme de psicoses e de comportamentos alterados. Acabou por ser expulso mais uma vez de onde vivia por ter outra vez comportamentos agressivos com os restantes habitantes da casa. Pelos vistos não é a primeira vez só este ano que é expulso do sítio onde mora, não tem trabalho, gasta o que tem em drogas e outros vícios.

Depois de ter sido expulso, andou perdido na rua até ter entrado num comboio, onde ficou durante algum tempo andar de um lado para o outro. Acabou por decidir ir visitar um familiar que estava alheio à situação presente, embora soubesse o historial. No inicio parecia estar tudo bem e numa véspera de natal não se fecham portas à família. Foi convidado a entrar para tomar banho, jantar e dormir, mas não demorou muito tempo para começar outra vez com os discursos incoerentes.

Acabaram por chamar o Inem e a Polícia, pois a agressividade compulsiva era bastante intimidante. Nesse dia foi voluntariamente visto por um médico, um psicólogo e fez umas análises.

As análises apenas alegaram que tinha sido consumido canabinóides e o resto não foi detetado. Tanto a policia como os médicos foram na conversa, porque se há coisa que ele consegue é ter um discurso mais ou menos coerente, manipulador e muito teatral. Quando está sozinho ou com a família, é uma figura divina que pode fazer tudo sem consequências, pois já é maior de idade e nunca precisa de ninguém. É imediatamente uma vitima quando é confrontado pelas autoridades. Os médicos infelizmente concluíram que era apenas necessário ele ter de descansar e de dormir, o que foi fazer para a casa dos familiares que o abrigaram esse dia.

Contaram-me que durante a noite acordou e andava pela casa a passo rápido de um lado para o outro a falar sozinho e a fumar. Acabou por ir para o quintal trepar árvores e andou a partir loiça. Quando os familiares assustados o confrontaram pela madrugada, ficou novamente agressivo, com um discurso bastante ameaçador a dizer que ia para a rua matar alguém ou que alguma coisa podia acontecer e que morria. Foi necessário chamar outra vez a polícia e o Inem. O discurso é outra vez disfarçado com algum teatro, embora desta vez fosse bastante mais óbvio a sua psicose.

O que é comunicado aos meus familiares pela polícia, é que estes nada podiam fazer. Mesmo depois saberem que a família que morava na casa tinha sido ameaçada e que o doente em questão não vivia na casa, se não fosse voluntariamente não o poderiam levar para o hospital, muito menos interna-lo.

Resumidamente, se o discurso do doente às autoridades for minimamente coerente, não há nada que possam fazer até haver agressões graves que justifiquem algum tipo de intervenção. Felizmente após meia hora de conversa com a equipa do Inem, que desta vez não se deixam levar na conversa, lá é convencido a voltar ao hospital, mas nem 5 minutos depois ao estar a sair de casa, começa outra vez os berros e a negar que ia de livre vontade. Com muita paciência da policia e do Inem, lá conseguiram convence-lo a seguir em frente.

Após ter chegado ao hospital continuou com os comportamentos alterados, felizmente, desta vez foi na presença da policia e dos médicos, que tiveram mesmo de o agarrar porque estava completamente descontrolado. Tiveram de lhe dar injeções para o acalmar e finalmente comunicaram que o iriam internar, pelo menos por hoje, o que de momento é bom.

Mas, agora tenho membros da família que tiveram o Natal completamente estragado e estão aterrorizados. Estão em desespero, já tem uma certa idade, não tem espaço na sua casa e mesmo que tivessem não o querem lá por razões obvias. Não têm outro local onde o possam alojar, mas também não o querem deixar sozinho na rua porque não deixa de ser uma pessoa da família. Ao mesmo tempo, temem o facto de este os poder eventualmente roubar ou até atacar com agressividade, mas, que se for para a rua pode eventualmente atacar outras pessoas.

Estão com medo e vivem agora cheios de ansiedade porque quando ele eventualmente sair de onde está, o que pode ser amanha, o mais provável é querer ir logo comprar mais drogas, voltar ao estado que estava e voltar à casa dos familiares onde deixou as suas coisas, e quem sabe, a não querer sair de lá por não ter sitio para onde ir. Estão com medo que ele desta vez possa até ter atitudes vingativas por eles terem chamado o Inem e a Policia duas vezes.

A nossa família não tem nenhuma riqueza escondida, nem poupanças para conseguir internar esta pessoa num privado onde cobram fortunas.

Estou e estamos à procura de uma solução a querer evitar uma situação mais grave que infelizmente é recorrente. Não sabem quanto tempo é o internamento e as autoridades estão de mãos atadas devido às leis atuais em Portugal. O que também me deixa assustada, é terem dito aos meus familiares que só estes últimos 4-5 dias tiveram e continuam a ter centenas e centenas de chamadas por situações semelhantes.

A minha pergunta, é que se existem tantos casos semelhantes, para onde é que estão a ir estas pessoas? Que apoio está a ser prestado às famílias que nada têm haver com o consumo de drogas dos seus familiares adultos toxicodependentes?

O que é que se anda a fazer para proteger as pessoas de idade que se encontram no meio destas novelas? O que é que eu, e muitos outros na mesma situação, o que é que podemos fazer para os ajudar à distancia? Com mais quem é que se pode falar? Preciso rapidamente de ajudar os meus familiares a elaborar uma estratégia para resolver este assunto da melhor maneira.

Desejo a todos um Bom Natal e muita força aos que estão a passar por este tipo de situação!

Obrigado.

submitted by /u/tuganonymous
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